Entenda quando a ansiedade passa a ser uma doença
Entenda quando a ansiedade passa a
ser uma doença
Em
2015, 18,6 milhões de brasileiros foram diagnosticados com transtorno de
ansiedade generativa
Preocupar-se
continuamente com várias coisas, ficar imaginando todos os possíveis desfechos
e consequências negativas de algum ato e nas diversas maneiras de impedi-los,
estresse, insônia, tensão muscular, problemas gastrintestinais e tontura são
alguns sintomas do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). De acordo com dados
divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) este ano, o Brasil foi em
2015 o país com o maior número de pessoas que tem o transtorno, sendo
aproximadamente 18,6 milhões de brasileiros.
Segundo a psicóloga Maria
Aparecida Arruda a ansiedade faz parte do nosso cotidiano, porém, o que
diferencia a ansiedade normal da ansiedade em um nível patológico é o quanto
ela interfere na qualidade de vida do indivíduo, levando-o a prejuízos em seu
desempenho profissional, familiar e social.
“Me estresso facilmente,
desconfio das pessoas, acho que o mundo conspira contra mim. Até já perdi um
emprego em uma crise”, relata a atendente Fernanda Ferreira de 26 anos, que foi
diagnosticada com a doença há 8 meses.
Maria Aparecida conta que
normalmente as pessoas que são mais propensas a ter a doença são aquelas mais
preocupadas, que têm famílias superprotetoras ou algum problema familiar, medo
de desafios, entre outros fatores que abrem uma brecha para o distúrbio. “São
pessoas que possuem uma percepção exagerada de perigo ou ameaça associada a uma
percepção diminuída de sua capacidade para lidar com eles”, comenta.
As estudantes Carolina
Prá, 21, e Ana Salles, 22, contam que a ansiedade aumenta em determinados
momentos do dia a dia. “Geralmente, ela aumenta quando preciso fazer escolhas ou
pensar no futuro”, relata Carolina. Já no caso de Ana, ela diz que “quando
preciso conversar com pessoas que não conheço ou quando vou a lugares muito
cheios, sinto que serei julgada e isso me deixa constrangida e nervosa”.
Adolescência
Para a psicóloga, é muito
difícil saber exatamente quando os sintomas do transtorno começaram a aparecer,
pois geralmente os pacientes não sabem quando eles passaram a ocorrer, mas que,
na maioria dos casos, eles já se manifestam na infância ou adolescência. “A
ansiedade no início da adolescência ocorre por conta das comparações sociais
que fazem entre si. Período quando as críticas vindas do seu meio social são
extremamente valorizadas e também questões relativas ao seu ambiente familiar”,
diz.
Ana Salles conta que foi
diagnosticada com a doença aproximadamente há três anos. “Estava com crises de
pânico por conta da ansiedade e fui ao psiquiatra no setor emergencial, então,
ele me diagnosticou com síndrome do pânico e ansiedade social”, relata.
Atualmente
Sobre o fato do Brasil
ser o país com o maior número de pessoas com TAG, Maria Aparecida Arruda
explica que embora estejamos vivendo hoje com mais tempo, com melhores
tratamentos médicos e infraestrutura e melhores índices da doença, há fortes
fatores que causam temores e inseguranças.
Como alguns exemplos, ela
cita a política, situações estressantes e desafiadoras, a globalização e a
competição econômica que se intensifica cada vez mais e que geram essa sensação
de apreensão. Ela cita também o consumismo exagerado, apoiado pela mídia, que
trouxe a necessidade de comprar cada vez mais e mais coisas, gerando temor e
inquietude.
Diagnóstico
“Há 30 anos não se falava
muito no assunto, tive diagnóstico e tratamento errado. Na época, perdi meu
emprego e até meu noivo”, conta a dona de casa, Rosana Lopes.
A psicóloga Maria
Aparecida Arruda conta que o diagnóstico é feito por meio do histórico narrado
pelo paciente, com entrevistas, investigações e levantamento de hipóteses. Além
disso, há também uma série de testes e escalas que facilitam a avaliação.
Tratamento
e prevenção
O tratamento é feito por
meio de medicamentos com substâncias que proporcionam relaxamento,
ansiolíticos, que são drogas com propriedades de redução de ansiedade e tensão
e psicoterapia para que haja uma reestruturação cognitiva quanto as
preocupações, pensamentos e distorções negativas geradoras de ansiedade.
A psicóloga Maria
Aparecida diz que é possível controlar o distúrbio com exercícios físicos, como
natação, corridas, yoga, entre outras atividades físicas.
Fernanda Ferreira conta
que começou o tratamento tomando remédios, mas que hoje ela procura tomar
somente quando tem crises e que, no dia a dia, procura controlar sua mente.
Já Ana Salles diz que “Tomo
medicação de manhã e à noite. Vou ao psiquiatra e procuro fazer exercícios de
respiração”.
Como forma de prevenção,
a psicóloga fala que praticar esportes, saber alterar trabalho e descanso,
tirar férias, ter momentos de lazer com a família e amigos é essencial.
“Divirta-se, tenha amigos e seja o máximo possível feliz”, recomenda.

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