Programa de esportes beneficia centenas de idosos de Sorocaba

Foto: Marcelo Gomes
Equipe de vôlei recreativo do Centro Esportivo Dr. Pitico


Programa de esportes beneficia
centenas de idosos de Sorocaba

Viva Esporte 3ª Idade conta com 14 modalidades que
competem em diversos jogos pelo Estado de SP

Marcelo Gomes
Procurando integrar, dar uma vida mais saudável e ampliar a participação dos idosos de Sorocaba na sociedade, a Secretaria de Esportes e Lazer criou o projeto Viva Esporte 3ª Idade, que já conta com 250 participantes, idosos acima de 50 anos que praticam diversas atividades físicas.
Almentino Brasil Borges Junior é um dos três coordenadores atualmente. Ele acompanha os treinos de atletismo e foi convidado para fazer parte do programa há quatro anos, porém a iniciativa já existe há aproximadamente vinte. Borges explica que o projeto funcionava com apenas um coordenador e uma modalidade esportiva, o voleibol adaptado, com regras bem especificas e um pouco diferente do convencional. Uma das regras é que os jogadores não podem “cortar”, eles seguram a bola e passam para seu colega, a fim de evitar lesões.
 “Quando fui chamado para participar decidimos expandir para outras modalidades. Hoje são 14 tipos diferentes que vão para jogos regionais e jogos abertos e nós as desenvolvemos dentro de centros esportivos, dentro do Sesi e de outros locais”, conta.
Os treinos ocorrem a semana toda. Nas segundas e sextas-feiras tem atletismo no Centro Esportivo do Jd. Simus e todos os dias treino de voleibol, para campeonato, no mesmo local com o professor Fábio. Nas quartas e sextas ocorre no Sesi a natação com a professora Selma e a também coordenadora Edileine Paulete. Segundas e sextas tem os jogos de mesa no Parque dos Espanhóis, que incluem damas, xadrez, truco, buraco e dominó. O projeto conta também como voleibol recreativo, sem fins competitivos, nas quartas e sextas no Centro Esportivo Dr. Pitico, e tênis de mesa.
Para participar, os idosos precisam procurar os professores do projeto, ou eles acabam sendo procurados pelos próprios profissionais nas ruas, shoppings, praças, entre outros lugares. E precisam apenas trazer um exame médico para comprovar que possuem condições de praticar os esportes.
Coaracy Dolácio Mendes, 82, ficou sabendo do programa pelo próprio Junior, como é conhecido o coordenador. Foi durante uma conversa em um restaurante, a palavra natação acabou surgindo e Mendes disse que nadava. O professor explicou sobre a atividade e o convidou para participar e já faz aproximadamente 2 anos que ele treina.
Mendes comenta que, além das amizades formadas, do relacionamento com novas pessoas, um dos benefícios que a natação trouxe para sua vida foi a recuperação de um acidente que sofreu. “Eu tive um problema muscular muito grave, tive que até andar de cadeira de rodas, quando melhorei um pouco com fisioterapia, vim nadar, meu problema está acabando, ainda tenho, mas estou quase curado”. E continua: “Muita gente me desanimou, dizendo que era um caso grave, que não tinha jeito. A natação está resolvendo meu problema, isso que é minha maior motivação”.
Wilson Roberto Cabral, 64, participa dos treinos de atletismo. Ele corre duas horas por dia sem parar e é vice-campeão nos torneios regionais. Foi convidado a participar da iniciativa por um amigo no clube do idoso. Ele relata que foi boxeador no passado, mas que abandonou o esporte por um desentendimento com o técnico. “Não me arrependo não, no meu entendimento o boxe devia ser cortado, porque um amigo ataca o outro e a sequela fica para o resto da vida”, diz.
Participantes do vôlei recreativo no Pitico, Elza Cortêz, 71, e Terezinha Tormenna, 68, possuem até nomes de guerra, “Elzinha do vôlei” e “Gaúcha”, respectivamente. Elza conta que fora o projeto, vai também no Sesc e que os esportes que mais gosta são o vôlei e basquete. “ O pessoal admira minha agilidade, não tomo remédio, o médico manda fazer ginástica”, conta. Terezinha já participa do projeto há 1 ano. Ela diz que começou no Sesc por conta do condicionamento físico e que a prática de esportes e a convivência com as pessoas melhoraram muito sua saúde. “Eu estava muito deprimida, aí eu venho aqui e me sinto alegre, feliz”, relata.

Foto: Marcelo Gomes
Wilson corre 2 horas sem parar todos os dias
A professora de educação física e também coordenadora do Viva Esporte 3ª Idade, Edileine Paulete, entrou no projeto há 3 anos e conta que, no início de sua carreira, seu primeiro trabalho foi com ginastica para idosos e que estar trabalhando com essa faixa etária novamente é algo muito bom. “É gostoso, é uma coisa simbolicamente estranha, porque eu iniciei e agora estou quase no fim de carreira, já faz 30 anos que dou aula, então daqui a pouco estou me aposentando e acho que vai ser com eles”, diz.
O professor de atletismo Junior também acha prazeroso treinar os idosos. “Eu trabalho com todas as idades, dou aula para adolescentes em escolas estaduais, e é prazeroso sim, o grande incentivo que nós temos é a elevação da auto estima desses idosos, que são as vezes pessoas que não tinham tanto estimulo no final da vida e por meio do esporte acabam encontrando um caminho para viver melhor. Não só pela saúde, mas pela socialização que eles têm com outros idosos, esse é o grande diferencial e que nos serve de incentivo para trabalhar com eles”.
“Eu faço academia no Jd. Simus e sempre comentava com o professor que o meu maior sonho era aprender a nadar. E quando surgiu o programa aqui no Sesi, ele me convidou e eu vim”, conta a aposentada Shirlei da Silva de 66 anos, que aprendeu a nadar no projeto, diferentemente dos outros participantes que já entraram sabendo.
Sobre aprender a nadar na terceira idade, ela diz: “Foi simplesmente maravilhoso. Por causa da casa, trabalho, filhos, eu nunca tive tempo para fazer natação, mas sempre tive na minha cabeça que querer é poder, se você quiser você consegue e com a ajuda dos professores, salva vidas, aprender a nadar na minha idade foi muito bom, foi mais um desafio”.

Competições
O Estado de São Paulo promove ao longo do ano os Jogos Regionais dos Idosos (JORI) e os Jogos Abertos do Idoso (JAI) e a idade mínima para participar é de 60 anos. Nos jogos regionais competem aproximadamente 80 cidades e Sorocaba vai representada com 140 idosos. Já nos jogos abertos participam quase 340, com mais ou menos 90 participantes.
A modalidade de atletismo vai para os jogos com 20 atletas. A média dos que vão treinar é de 5 a 10 por dia, mas, conta o professor, quando chega a época de jogos e eles querem uma vaga, três meses antes todo mundo está treinando a semana toda, mesmo ele não estando presentes. A equipe de natação é de aproximadamente 16 a 20 idosos.
Convidado pela Edileine, o aposentado de 69 anos Sergio Marcos de Oliveira já frequenta o projeto há 3 anos. No ano passado, ganhou medalha de ouro na natação, nos jogos regionais, e ficou em 6º lugar nos jogos abertos.
“É uma delícia, o melhor é que todo mundo fica junto. Se na quinta tem campeonato de atletismo, o pessoal da natação vai lá torcer por eles. Aí na sexta é o campeonato de natação, o pessoal de atletismo vai lá apoiar também. Nos campeonatos, à noite tem os artistas, aqueles que levam violão, fazem karaokê.... Isso é muito bom para esse grupo da terceira idade, porque ajuda a cabeça, ajuda a evitar a depressão, é um convívio sadio. E continua: “A gente vai para competir, dar o melhor da gente, nós não somos profissionais, então se ganharmos é festa e se perdermos é festa também, sabe por quê? Apesar da idade, estamos aqui competindo, então para nós é uma vitória para cada um”.
Edileine conta que gosta muito do lado da competição e é uma pessoa muito competitiva, porém, a saúde dos participantes sempre vem em primeiro lugar. “Eu gosto muito mais do processo que a gente leva. É muito mais gostoso esse processo de preparação do que os jogos em si, porque aquilo lá (campeonatos) vai acabar acontecendo de uma maneira positiva, porque você trabalhou, então de uma forma ou de outra vai dar resultado, porque o trabalho foi feito. Então a gente vai para os jogos com o espírito bem esportivo, é bem gostoso”, relata.
“Eu faço parte da equipe de vôlei do Jd. Simus, equipe de Sorocaba, já fazem dois anos. Já disputei em Itapetininga e ficamos em 3º lugar nos jogos regionais, no ano passado fomos campeões em Avaré. Disputamos em Barretos no ano passado, nos jogos abertos (JAI) e ficamos em 5º lugar, então somos a 5ª melhor equipe do Estado de São Paulo”, diz Jaime Beraldo Farias, 65, sobre os campeonatos dos quais participou.
 “O pessoal que faz esporte, atividade física, dilui muito o stress, a angústia. Aqui (Centro Esportivo Dr. Pitico) acabou sendo um modo para a gente estar vendo um potencial para estar indo jogar na parte competitiva, desde que a pessoa também queira, porque tem muitos no nosso grupo, na natação, que estão participando, ou com o Junior lá no atletismo, que não competem, mas estão interagindo, a pessoa sai da casa dela, faz um exercício, melhora a saúde”, finaliza a professora.

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