Resenha sobre o livro "Livro - Reportagem" de Eduardo Belo
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| Foto: Divulgação |
A obra
que vai além
do livro
reportagem
O livro
ajuda tanto os jornalistas que querem escrever um livro reportagem como os
estudantes de jornalismo em suas reportagens diárias
Marcelo Gomes
Livro-Reportagem é uma obra de 144 páginas que foi lançada pela editora Contexto em
São Paulo no ano de 2006 e escrita pelo autor e também jornalista Eduardo Belo.
Eduardo, com ajuda da jornalista Ana Claudia Landi, escreveu também o livro Apenas uma garotinha: A história de Cassia
Eller lançado em 2005, onde conta a biografia da cantora brasileira.
O
exemplar era para ser inicialmente uma palestra para alunos do curso de
Jornalismo de uma universidade paulistana que tinham o desejo de escrever
livros reportagens para seus trabalhos de conclusões de curso. Por diversos
motivos, a exposição teve de ser cancelada e então, o roteiro da palestra
acabou sendo adaptado esse livro.
Composta
de seis capítulos, o autor utiliza de suas experiências pessoais e
profissionais no jornalismo e como se dá o relacionamento das redações com as
longas reportagens, para explicar o surgimento e a importância dos livros
reportagem como veículos de comunicação.
No
início do exemplar, nos é mostrado como geralmente surge a ideia de se
transformar uma reportagem em livro. Ao longo das páginas, é apresentado a
diferença entre o jornalismo europeu e o norte americano, como são os modelos
de reportagens em cada lugar e como a Revolução Industrial e a urbanização
modificaram o jeito de fazer jornalismo.
Contextualiza
ainda, o jornalismo literário no Brasil, que se assemelhava ao modelo europeu,
mas que com o passar dos anos começou a seguir o modelo norte americano. Além
de mostrar como fatores econômicos, como por exemplo a crise econômica do
século vinte, afetaram as redações jornalísticas, que tiveram que enxugar o
quadro de seus funcionários e por consequência deixaram de dar atenção às
reportagens.
Após
apresentar o contexto histórico do jornalismo e das reportagens, o autor foca
de fato nos livros reportagem e nos responde perguntas como: O que é um livro
reportagem? Qual o seu valor no jornalismo? O que é preciso para uma reportagem
virar livro ou para um livro ser reportagem?
Eduardo
nos aponta também uma observação muito importante na hora de escrever um livro
reportagem, onde ele escreve que nem toda não ficção é jornalismo, mas o
jornalismo tem que ser todo não ficção. Em uma obra jornalística é preciso ter
100% de exatidão, com apuração e pesquisas precisas, além de conter
objetividade e não possuir juízo de valor. Porém, mesmo sendo jornalística, a
obra pode conter elementos literários em seu corpo.
Podemos
ver também durante a leitura, os pontos positivos desse tipo de trabalho. Sendo
que nele, a história contada pode ser tratada de forma mais profunda e sem
preocupação com o tamanho, a apuração deve ser mais detalhada e deve ter também
ligamento com acontecimentos passados, diferentemente de uma simples
reportagem.
O autor
apresenta, que os assuntos tratados em um livro reportagem podem ser tão
diversos quanto em uma reportagem. O exemplo disso é que mesmo as biografias
sendo hoje o subgênero de livros reportagem mais populares no Brasil, tanto que
existem vários jornalistas se dedicando exclusivamente a esse tipo de livro,
existem muitos outros tipos como: policiais, sobre bastidores políticos e
econômicos etc.
No
penúltimo capitulo, ele nos dá dicas de como escrever um bom livro. Fala da
importância da formação pessoal, acadêmica e profissional da pessoa e que é preciso
também possuir ética com o trabalho para se ter um jornalismo mais sério e
responsável. Além de se preocupar com a pauta, o planejamento da obra, o custo
que o jornalista terá durante a produção, o cuidado com a apuração, pesquisa,
entrevista, texto e também com a edição do produto.
Por
último, o escritor apresenta no capítulo final de seu livro uma análise da obra
Hiroshima de John Hersey, concebida
inicialmente como uma reportagem, que ocupou toda a edição da revista The New Yorker (EUA) de 31 de agosto de 1946. Essa reportagem transformada em livro
posteriormente, relata a vida de seis sobreviventes do bombardeio atômico à
cidade japonesa de Hiroshima e que foi apontada pela crítica especializada como
a mais brilhante reportagem de todos os tempos até hoje.
O
produto em si é muito bom tanto para estudantes de jornalismo, como para quem
deseja escrever um livro reportagem. O livro possui uma linguagem simples e
direta, o que facilita a fácil compreensão da mensagem que o autor deseja
passar e também possibilita a fluidez da leitura.
O ponto
alto do exemplar é todo o embasamento que Eduardo dá para quem está lendo sua
obra. Todas as dicas e afirmações citadas ao longo das páginas são exemplificadas
por meio de outros títulos e autores de livros reportagem e também com
contextos históricos, o que ajuda o leitor a entender melhor o conteúdo tratado
nessa obra.
Falando
ainda dos exemplos de outros livros jornalísticos e autores citados neste livro,
como, Rota 66 de Caco Barcellos, A sangue frio de Truman Capote, Caso Escola Base: Os abusos da imprensa
de Alex Ribeiro, entre outros, acabamos apresentando outro ponto positivo, pois
eles apenas agregaram ainda mais para a formação de quem se dispuser a ir atrás
e buscar lê-los.
Analisando
a obra como um todo, posso dizer que é um livro muito bom não somente para quem
está interessado em escrever um livro reportagem, mas para todo jornalista que
queira aprimorar suas técnicas de escrita em reportagens.

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