O meio de comunicação que
une e separa ao mesmo tempo
Apesar da facilidade e praticidade do dia a dia, o
celular acabou retrocedendo as relações humanas
Marcelo Gomes
Ele veio
para encurtar distâncias, aproximar, unir e quebrar a barreira de espaço entre
familiares, amigos, namorados.... Enfim, pessoas que possuem relações
fraternais e que por diversos motivos não podem, nem conseguem estar juntos
diariamente, nem frequentemente e acabam não se vendo por muito tempo, muitas
vezes por anos.
Com
apenas alguns toques em botões, agora na própria tela, alguém que está em São
Paulo pode falar e até ver alguém que esta lá no Maranhão, Rio Grande do Sul,
Estados Unidos, Alemanha, China, não importa, todo o planeta se conecta por
meio de um aparelho que parece ser tão simples, mas que tem um papel grandioso
na nossa atualidade.
Imagine a
alegria, a emoção de uma mãe que não vê os filhos há anos e com apenas um
clique pode matar a saudade que aperta seu coração cada dia mais, do local que
estiver, da sua casa, seu trabalho... E no lugar do aperto, transborda apenas
felicidade.
Hoje,
todo mundo, ou a grande maioria da população, possui um celular. Crianças de
cinco, sete anos, já fuçam os aparelhos e todas as tecnologias deste século de
cabo a rabo. Às vezes me pergunto se já nascem com essa habilidade, adaptadas
para o mundão tecnológico em que vivemos.
O
problema é que o que era para aproximar, só aproxima quem está longe, mas
separa quem está perto. Por exemplo em uma festa, todo mundo reunido, porém,
não existe diálogo, não há o olho no olho, que era tão importante tempos atrás.
Todos os olhos ficam voltados para a tela do celular. A única coisa que se ouve
é a música abafando o silêncio que cai pressionando a roda de amigos.
Podemos
trazer também essa realidade mais para perto de nós. Quantas famílias, e eu
conheço algumas, morando na mesma casa e a principal forma de comunicação é por
meio de mensagens? Onde foi parar aquele momento em que todos se sentam à mesa
para almoçar? As conversas entre pais e filhos, filhos e pais? É muito raro.
Lógico,
não sou contra o uso do celular, nem contra todas as tecnologias existentes,
pelo contrário, é maravilhoso você poder ter tudo na palma da sua mão, ter no
seu dia a dia facilidade e praticidade. No entanto, é preciso haver limites
para que a humanidade não acabe retrocedendo e perdendo algo muito importante
do ser humano, o dom da fala.
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