Riscos da automedicação para a saúde
O analgésico é o tipo de medicamento que mais causa intoxicação_ Foto: Marcelo Gomes
Riscos da automedicação para a saúde
Marcelo Gomes
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Os
medicamentos são substâncias químicas que provocam alguma alteração no
organismo, eles restabelecem algumas funções quando o organismo está com
alguma disfunção. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas
(Abifarma) todo ano, cerca de 20 mil pessoas morrem por conta de intoxicação de
medicamentos.
“Primeiro
as pessoas precisam desmitificar que dentro de uma caixinha, de um comprimido
tem saúde, ali não tem saúde, é uma substância química que causa uma
modificação”, diz o farmacêutico e reitor da Universidade de Sorocaba (Uniso)
Fernando de Sá Del Fiol.
Segundo
Fernando, esse envenenamento pode ser algumas vezes intencional, quando a
pessoa tenta se matar ou se fazer mal com medicamento, e pode ser acidental
quando inadvertidamente acontece isso, mas ocorre também com medicamentos
prescritos. “ A pessoa foi ao médico, ele mandou tomar isso, a pessoa tomou a
mais ou a menos, fez mal e pode levar à intoxicação também”, conta.
A
grande maioria dos danos causados pela automedicação são reversíveis, de
efeitos adversos é provável ter desde uma urticaria, uma coceira, alergia, um
desconforto gástrico, insônia. Porém é possível haver efeitos permanentes como
a morte e no caso de gestantes, que tomam determinados medicamentos que podem
levar ao efeito teratogênico, que é um efeito que vai modificar as funções do
feto, então a criança pode nascer com algum defeito permanente.
Os
medicamentos que possuem uma faixa de segurança maior, que é a distância entre
o efeito terapêutico e o efeito tóxico, ou seja, precisariam de uma dose muito
alta para causar uma intoxicação, possuem venda livre, por exemplo analgésicos
e vitaminas. Os que tem a faixa de segurança muito pequena, os que causam
dependência e aqueles medicamentos que podem criar resistência bacteriana, no
caso os antibióticos, tem a venda restringida pela Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária).
A dona
de casa, Antonia Regina de 56 anos, conta que acha errado a prática de se
automedicar, mas que tem hora que é preciso. “ Às vezes eu vou na farmácia e
peço um remedinho. Porque eu passo no posto de saúde e eles mandão tomar
dipirona, então é o que eu tomo”, relata.
Ela
diz também que já passou mal com um analgésico, “ele me dá uma reação muito
forte (náusea, tontura). Um dia eu estava com muita dor de cabeça e o povo fala
que ele é bom, aí eu tomei e não passei muito bem, mas eu não tenho essa mania
de qualquer dorzinha vai e toma remédio”, finaliza.
Jeane
Garcia Novo, 37, é farmacêutica e trabalha em uma farmácia, ela conta que
muitas pessoas vão pedir indicação de remédios e que os clientes na hora da
compra optam pelo medicamento genérico, “ o original, ele é muito pouco vendido
ultimamente. Já que o genérico faz o mesmo efeito que o de marca o cliente
sempre prefere o mais em conta”, disse.
Ela
também diz que muita gente tenta comprar medicamentos que possuem a venda
restringida sem terem a receita médica. “ Tem muita procura de antibióticos,
mais do que os medicamentos psicotrópicos, que são medicamentos para doenças
psiquiátricas. Tem uns que dá uma dor de garganta e já quer comprar um
amoxilina ou algo parecido e a gente fala que não tem como, porque tem que ter
uma prescrição médica”, conta.
“A
questão da automedicação com antibióticos, praticamente acabou no Brasil, por
que hoje só se compra eles com prescrição médica”, declara o doutor em
Farmacologia. Porém ele adverte, “os médicos ainda prescrevem muito mal os
antibióticos, posso garantir que 40% das prescrições da receita médica dos
antibióticos são mal feitas, ou porque não precisava, porque tomou errado ou
porque errou na dose”.
Ele
ainda continua, “a gente tinha dois problemas com antibióticos no Brasil,
pessoas que tomavam por conta própria ou por prescrição errada. As que tomavam
por automedicação nós já resolvemos, falta resolver as prescrições inadequadas
dos médicos”
De
acordo com Fernando de Sá Del Fiol, o consumo de medicamentos sem prescrição ocorre
no Brasil por causa do acesso relativamente fácil deles nas farmácias, pela
dificuldade de se conseguir uma consulta médica, mas principalmente por conta
da alta propaganda de medicamentos que existem nas rádios e televisões.
“Quando
eu estou com algum sintoma, dependendo do que for eu vou primeiro na farmácia”,
declara o encarregado de produção, Alexsandro Rodrigues da Cruz de 30 anos. Ele
conta também que mesmo tomando medicamentos por conta própria, prefere não
indicar remédio à outras pessoas, “uma coisa é eu tomar, agora quando é para
outra pessoa aí tem que mandar ir no médico”, diz.
O professor
Fernando diz que no inverno brasileiro há um pico de vendas de medicamentos,
principalmente de trato respiratório, “o inverno brasileiro é um inverno seco e
favorece demais as infecções respiratórias, porque as pessoas fecham janelas,
fecham portas e isso facilita a contaminação de vírus e o tempo seco resseca a
via aérea”.
“Educação,
as pessoas precisam se educar, porque acham que o medicamento vai resolver o
problema delas, o que resolve é você entender o problema, diagnosticá-lo e
tratar só aquilo. Vitamina, a gente diz que vitamina não se compra em farmácia,
se compra em feira, comendo verdura, comendo fruta, ali estão as vitaminas, mas
as pessoas preferem aquela da caixinha, porque ela apareceu na televisão,
porque tomo e fico forte, tomo e não tenho gripe. Se você comer uma verdura vai
acontecer a mesma coisa”, finaliza.
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